O rosto de Walker exibe uma expressão de surpresa. Por alguns segundos ele permaneceu em silêncio.
Walker olhou fixamente para a garota, seu rosto estava muito pálido e ela carregava uma expressão triste.
A menina disse com uma voz fria e calma antes que ele pudesse fazer algo:
- Eu sou Antonietta Sol de las Flores de Lamur, sou a filha mais velha de minha família. Você, jovem, ousou interferir em nossos caminhos, e para que eu tenha que viver, você deve morrer.
Walker respirou profundamente e, com uma voz calma e determinada, disse:
- Não posso permitir que pessoas morram para que você viva, isso é simplesmente errado, a vida que cada um carrega é preciosa, e cada um tem a sua e deve vive-la da forma que lhe agradar, para que no fim possa aceitar sua morte dignamente.
Antonietta sorriu e, com uma voz calma, disse:
- Sim, ela é tão preciosa que eu a quero para sempre, minha mãe e minha irmã estão mortas, posso sentir, então agora tenho dois motivos para matar vocês: vingança e vida eterna.
Walker abaixou a cabeça, pôs a mão na bainha de sua espada e, com uma expressão um tanto triste, disse:
- Isso é simplesmente errado e não posso permitir que você faça isso.
A terra começou a tremer e vários cipós cheios de espinhos agarram as pernas de Walker. Antonietta riu e, com a voz alegre e macabra, disse:
- Então agora saberemos se minha vida é mais preciosa que a sua. Se a sua vida e a deles valem tanto, prove-me me derrotando.
Walker desembainhou a espada e, com um movimento leve, cortou os cipós. Antonietta mexeu a mão esquerda e uma planta surgiu na sua frente e começou a disparar sementes contra Walker.
Ele começou a correr para esquerda, se esquivando das sementes. Ele tentou se aproximar, mas a garota continuava a mexer os braços. Várias folhas voaram na direção dele, ele tentou esquivar delas, mas várias passaram pelo seu corpo, causando vários arranhões. Walker cambaleou e caiu no chão, com um pouco de dificuldade, ele se levantou, olhou ao seu redor e pensou:
“É impossível eu me aproximar dela, terei de encontrar uma forma de atacá-la de longe”
Walker se afastou de Antonietta. Ela olhou para Walker, e em um tom zombeteiro disse:
- Está fugindo? Isso é tudo que sua vida significa para você, sua vida está longe de se tornar mais preciosa que a minha.
Walker fechou os olhos se concentrou, respirou fundo. Olhou para Antonietta, e com um movimento rápido, atirou sua espada na direção de Antonietta, Ela deu um passo para o lado esquivou, fazendo com que a espada fincasse no chão ao seu lado, mas não percebera que naquele momento Walker já estava na sua frente. Ele levantou o punho direito e com uma força e velocidade tremendas, acertou-a no rosto. Com um movimento rápido, Walker deu um giro, pegou a espada, inverteu-a e fincou-a nas costas de Antonietta, que começou a tossir.
Walker removeu a espada e a soltou no chão. Antonietta começou a cair para trás, ele pôs o braço em suas costas, e devagar foi a levando ao chão.
Os olhos de Antonietta ainda brilhavam quando Walker, com a voz calma e pesando a tristeza, disse:
- A sua vida é mais preciosa que a minha tanto quanto a dos outros, por isso foi tão difícil para eu tira-la de você...
A morte é algo ruim, mas que um dia chegará para todos nós. Não se pode evitá-la, mas tirar a vida de alguém é algo simplesmente cruel, e dói muito.
Antonietta sorriu e, com a voz fraca, disse:
- Você sabe escolher boas palavras, gostaria de ter te conhecido de outra forma, assim você poderia ter me dito isso antes.
Com muita dificuldade, ela tocou o rosto de Walker e, em suas últimas palavras, disse:
- Você é quente, diferente de mim, que sou fria. Talvez você esteja certo e eu deveria ter morrido há muitos anos atrás. Eu te peço somente uma coisa: continue tendo esse mesmo coração.
Lagrimas escorreram dos olhos vermelhos de Walker. Ele olhou para cima e a lua brilhava como nunca, e sem perceber uma mão toca em seu ombro, um tanto assustado, Walker olha para trás.
Serpente Marinha olha para a lua e, com uma voz séria, disse:
- Foram sábias palavras garoto, mas é dessa forma que as coisas acontecem, e são nestes momentos em que uma pessoa pode demonstrar o quão forte ela é, e você se mostrou excepcionalmente forte. Vamos!
Walker levantou com Antonietta em seus braços, andou um pouco pelo Jardim e a deitou no meio de várias rosas.
Alguns minutos depois Walker e Serpente Marinha saem pelo portão principal. Em um susto, Lina pula e abraça Walker e, com uma voz alegre e calorosa, diz:
- Que bom que você está vivo! Eu estava muito preocupada.
E por um tempo Lina foi falando enquanto eles faziam o caminho de volta.
Na manhã seguinte, eles estavam em frente à estação, e o trem chega. Eles se levantam e vão em direção à porta do trem, quando Serpente Marinha para Walker e, com uma voz calma e forte, diz:
- Este foi só o começo. Se continuar crescendo assim garoto, vai me superar logo.
Assim que Serpente Marinha entra no trem, Walker olha para trás, respira fundo e entra também.
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