Walker e Lina seguiram pela rua por alguns minutos até que chegaram em pequena praça, onde parecia ser o centro da cidade. Haviam instalações que se assemelhavam com lojas e também uma grande construção que poderia ser a prefeitura. Não haviam árvores na praça, somente uma, e próximo a ela tinha uma casa com um pequeno letreiro.
Lina falou para Walker que havia encontrado o lugar, e ambos seguiram em direção à pequena casa, mas antes que pudessem chegar na casa, Walker olhou para trás, e um pouco longe dele, avistou duas pessoas andando bem devagar, e logo mais foram aparecendo. Elas não diziam nada, simplesmente começaram a aparecer e ficavam andando para lá e pra cá.
Lina olhou para as pessoas e, com uma voz meio angustiada, disse:
- Estranho. O que será que pode ter acontecido com essas pessoas?
Walker pensativo respondeu:
- Não faço a menor idéia. Mas elas realmente parecem não ter alma.
Walker e Lina chegaram na frente da pequena casa. Walker logo estranhou, pois no letreiro não havia nada, somente uma placa em branco.
Lina forçou a maçaneta, que facilmente abriu a porta. Ela deu uma olhada dentro e não havia ninguém dentro da pequena casa, virou-se para Walker e, um pouco indignada, disse:
- Realmente não tem ninguém aqui.
Walker com calma e serenidade disse para Lina:
- Vamos dar uma olhada melhor.
E Lina assentiu com a cabeça.
Walker entrou antes, e o tempo todo manteve sua mão na bainha da espada. Eles olharam todos os cantos da pequena sala, haviam somente uma mesa e uma cama.
Walker foi até a mesa e deu uma olhada nos papéis que estavam em cima da mesa, mas nada de importante.
Lina foi investigar debaixo da cama, mas nada encontrou também. Foi andando em direção a Walker, quando tropeçou em uma madeira solta, Lina olhou para baixo e viu uma pequena fresta entre as madeiras.
Walker foi até ela e olhou para o chão, e com uma voz confiante disse:
- Veja o que você encontrou por aqui, parece que finalmente estamos indo para algum lugar.
Lina removeu as tábuas, e havia uma pequena porta de alçapão. Ela levantou a pequena porta, encontrou uma escada de ferro. No final da escada podia ser vista uma luz.
Lina desceu antes de Walker. Ao chegarem lá embaixo o cenário era totalmente diferente da pequena casa de cima: havia uma cama com vários aparelhos de cirurgia próximos a ela, vários armários com diferentes tipos de potes, e próximo à uma mesa havia um grande computador. Lina deu alguns passos adentro daquele laboratório, mas logo percebeu que estava pisando em algo viscoso, quando olhou para o chão, viu que ele estava repleto de sangue.
Os olhos de Lina ficaram pálidos, ela deu um pequeno grito e pulou para trás. Walker segurou o ombro de Lina, e com uma voz calma e serena disse:
- Fique calma, nós vamos descobrir o que está acontecendo por aqui.
Novamente Lina assentiu coma cabeça, e seguiu Walker pelo laboratório.
A luz que iluminava o local vinha do computador, Lina pegou alguns papéis da mesa e antes de começar a ler, deu uma última olhada ao seu redor para confirmam de que não havia ninguém além deles dois, e assim ela começou a ler a carta com uma voz calma e fria:
“Os experimentos estão ocorrendo como planejado. Os habitantes dessa pequena vila não estão mostrando nenhum tipo de resistência. Parece que em pouco tempo toda a vila estará dominada, e logo poderei seguir para experimentos mais avançados. As pessoas desta vila são tão ingênuas que nunca irão perceber o que aconteceu, mas deixando isso de lado, todos os mecanismos foram postos nas pessoas da vila, e com sorte logo poderei voltar para Rosa Negra com bons resultados, e assim nós poderemos progredir com o plano de extermínio.”
Lina um pouco assustada parou de ler e disse:
- Rosa Negra, plano de extermínio... Mas que raios é isso tudo? E que mecanismo é esse?
Walker nada disse, pegou outro papel e começou a ler com uma voz fria e calma:
“Todos os mecanismos instalados nos habitantes funcionam perfeitamente, e a antena de transmissão ainda não demonstrou nenhum erro, suponho que tudo esteja correto. Os mecanismos, a cada dia que se passa, tomam um maior controle sobre as pessoas, e algumas delas já obedecem às minhas ordens sem nenhum tipo de resistência, e quanto antes elas perderem todo tipo de raciocínio e se tornaram meros escravos, terei certeza de que já poderei levar os novos protótipos para o Rosa Negra, para que nós possamos dar início ao plano.”
Walker terminou de ler o papel e procurou por outros papéis, mas não haviam mais. Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Lina foi logo dizendo com uma voz confiante:
- Existe uma forma de curá-los. Não sei se dá para remover os mecanismos, mas sei como pará-los.
Walker comum tom de duvida na voz perguntou:
- Como?
Lina confiante a animada respondeu:
- Ele disse que tem uma antena que entra em contato com os mecanismos, se eu puder enviar micro-ondas de calor pelo sinal da antena, todos os dispositivos elétricos nesta cidade irão pifar.
Walker confiante e sério disse:
- Você consegue?
Lina entusiasmada e com uma voz calorosa disse:
- Claro.
Lina virou-se para o computador e começou a digitar várias coisas. Os olhos dela estavam centrados na tela do computador, sem nem mesmo piscar. Alguns minutos depois, Lina juntou alguns fios de trás do computador, voltou para o teclado, digitou uma última seqüência de números e deu “Enter”. Lina se recostou na cadeira, limpou o suor da testa e disse à Walker com uma voz cansada:
- Está feito. Basta esperar alguns minutos.
Walker sério e um pouco mais aliviado disse:
- Vamos lá pra cima.
Ambos subiram as escadas, e saíram da pequena casa. Na praça, boa parte das pessoas estava no chão, desmaiada. Walker correu para ajudar uma delas, mas Lina botou a mão em seus ombros e disse com uma voz séria e calorosa:
- Calma, isso é comum. O choque pode faze-los ficarem inconscientes por um tempo.
Naquele instante Walker olhou para trás de Lina, e lá longe avistou uma fumaça subindo aos céus e, com uma voz séria, disse:
- Lucas disse que todos estavam daquele jeito, e agora todos estão inconscientes. Esse fogo só pode ser uma coisa.
Lina surpresa e animada perguntou:
- O médico?
Walker assentiu, e ambos correram em direção à fumaça.
Um pouco afastado da cidade, Lucas corria na floresta em direção a uma fumaça que ele viu pela janela de sua casa. Quando ele menos esperou, chegou numa área aberta, onde havia uma fogueira, e próximo dela estava sentado um homem com um jaleco branco manchado de sangue. O homem era alto, tinha os cabelos castanhos claro, e os olhos verdes como grama.
O homem avistou Lucas, e foi em sua direção. Lucas ficou paralisado, não sabia o que fazer, o homem se aproximou de Lucas e o agarrou pela garganta e começou a levantá-lo. Lucas tentava se soltar, mas não conseguia. Quando estava ficando inconsciente, ouviu um barulho na mata atrás dele, Walker e Lina acabaram de chegar.
O homem jogou Lucas no chão, olhou para Walker e Lina e, com uma voz séria e um tom de felicidade, disse:
- Novos ratos.
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